O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de outubro ficou em 0,10% - o menor para o mês desde 1998. Taí uma boa notícia, da qual a grande imprensa não tem como escapar, para sua profunda tristeza. Porque a verdade é que estamos caminhando bem, mas as notícias publicadas são sempre as mais pessimistas.

Ainda bem que não é assim em todo o mundo. Pelo contrário. Os nossos resultados estão sendo notados no exterior. Em recentíssimo debate na televisão argentina sobre a economia brasileira, por exemplo, o analista político Gustavo Segré termina sua participação com uma brincadeira tão bem-humorada quanto pertinente:

- Com mais uns US$ 20 bilhões (de reservas internacionais), o Brasil compra a Argentina!

Os números da nossa economia foram dissecados por Segré no programa “Animales sueltos” de segunda-feira (4). Ele surpreendeu os jornalistas presentes ao mostrar que a inflação brasileira deve fechar o ano em 3,29%, com crescimento de 1% no PIB e o risco-país em 117 pontos.

E Gustavo Segré não parou por aí. Deixou claro que somos o quarto país do mundo em investimentos externos diretos, atrás apenas de EUA, China, França e Índia. Melhor ainda: foram 777 mil empregos criados até setembro último, contra 350 mil em 2018.

O próprio apresentador do programa, Alejandro Fantino, não acredita quando o analista conta que, somente em julho passado, foram abertas mais de 281 mil empresas no Brasil. Na Argentina, diga-se, são 814 mil. Ou seja: em apenas um mês, abrimos o equivalente a 35% de todas as empresas do nosso país vizinho. Segré ainda cita a Lei de Liberdade Econômica, que garante menos burocracia para os empreendedores.

Em certo momento, Fantino reforça sua incredulidade:

- Não pode ser. É mentira.

Não é, garante Segré, e o apresentador sugere:

- Vamos abrir um negócio no Brasil, ou não?

Mais do que comparar os resultados econômicos do Brasil e da Argentina, o que nos interessa é reforçar o que a própria imprensa brasileira é incapaz de ver: o país está caminhando. Está evoluindo. Os números são claros, e as perspectivas estão positivas. 

Mas é tal história: a imprensa teima em pesar a mão nas suas críticas - que, ainda por cima, frequentemente são inócuas ou, mesmo, mal intencionadas, tentando encaminhar sua audiência para a oposição sem reflexão, desarticulando qualquer espírito otimista.

O problema é que o noticiário econômico do país está hoje sendo direcionado por interesses de poucos, em detrimento das políticas tocadas por governantes democraticamente eleitos. É essa a questão que está em jogo agora, mas pouca gente leva o assunto a público.

Parece que, para além dos resultados da economia, não passa pela ideia dos grandes grupos de comunicação que essa sensação de insegurança econômica, amplificada pelos quatro cantos do país via internet, tem a força deletéria de diminuir o consumo, cortar investimentos e empregos e, enfim, frear o crescimento. Essa bola de neve não tem qualquer utilidade que não seja desestabilizar a sociedade.

Também fica claro que o peso ideológico hoje agregado às notícias da grande imprensa está insustentável. A necessidade de convencer as audiências a respeito de determinado enfoque, totalmente parcial, em vez de apenas informá--las, arranha a democracia - que pressupõe que o indivíduo tenha a capacidade de pensar sozinho e agir com responsabilidade, em benefício de todos.

Tudo bem que o Estado brasileiro garante total liberdade de expressão a seus cidadãos e a qualquer segmento da sociedade. Melhor ainda é ter a certeza de que nada no horizonte sugere que esse direito será derrubado.

O que não dá para entender é essa fúria incontornável contra um governo legitimamente eleito com 57 milhões de votos. Difícil compreender por que a imprensa esconde ou camufla informações tão importantes - e revigorantes - como as que foram debatidas, por exemplo, pela televisão argentina. A não ser, claro, que os resultados positivos estejam contrariando os grandes grupos de mídia.

Seja como for, essa miopia da imprensa já cheira a falta de patriotismo.