Por Gustavo Barreto

O ano de 2019 entrará para a história negativamente no campo da diplomacia. Acordos históricos e importantes para a manutenção da balança de poder mundial estão sendo gradualmente anulados pelas mais diversas razões. Ainda no início do ano, começou de maneira gradativa um aparente descontentamento expressado pela Rússia para com o então Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário.

Esse acordo, firmado no contexto da Guerra Fria, em 1987, estabelecia a proibição de armas nucleares de alcance médio que poderiam ameaçar regiões no ocidente. O tratado, porém, se limitava apenas a Rússia e EUA, deixando países como a China de fora.

Testes de mísseis de médio alcance russo foram publicamente denunciados pelos EUA como uma violação do acordo e em julho, Putin anunciou que a Rússia se desligaria do compromisso. Já em agosto, o governo Trump anunciou também que estaria pulando fora.

Em novembro, o governo dos EUA anunciou que estaria se desligando dos Acordos Climáticos de Paris, cujo o objetivo é a diminuição de emissões de gases estufa. Segundo a adminstração Trump, a saída foi motivada por fatores econômicos, principalmente, que foram impostos aos EUA para que assim pudessem se adequar as especificações do acordo.

Por meio de nota oficial, o porta-voz do Secretário Geral da ONU, Stephane Dujarric, informou que: “a saída dos EUA dos Acordos de Paris está ocorrendo em conformidade com o regulamento uma vez que o Secretário- -Geral havia sido notificado com antecedência. O desligamento está previsto para 4 de novembro de 2020”.

Ainda mais recente é o já combalido acordo nuclear firmado entre Irã e outras seis nações, no qual o país muçulmano deveria limitar sua produção de energia nuclear apenas para pesquisa e abastecimento energético e não para armas. A saída do governo americano do tratado, bem como o aumento de centrífugas avançadas para enriquecimento de urânio no Irã decretaram de maneira não oficial o fim pacto.

Muitas dos elementos que motivaram o fim ou enfraquecimento dos acordos mencionados são de natureza de defesa ou ecônomica. Eles ressaltam, portanto, a tendência a longo prazo que a diplomacia do soft power (termo que designa uso de poder por vias indiretas) tem de se enfraquecer quando posta frente a necessidades de nações historicamente associadas ao hard power (conceito que defende uso de força militar e ecônomica como influência) militar, como Rússia, e ecônomico, como EUA.

Outros elementos como a guerra comercial entre EUA/ China, influência russa na Síria, pressão do setor energético sobre a reeleição de Trump aceleram o desgaste de importantes acordos.

Há, porém, aproximações entre os países de “ segunda grandeza” (estes que estão fora do eixo EUA/Rússia) que mantém alguns acordos vivos. É o caso da visita de estado de Macron a Pequim, aonde França e China ratificaram o compromisso com o clima.