Playing for Change Day fará edição caseira

Por Affonso Nunes

A pandemia e gestos de solidariedade e empatia como os dos cantores de janela italianos e a explosão das lives de artistas nas redes sociais levou os organizadores do Playing for Change Day 2020 a promover uma edição extra sob o lema At Home (permaneça em casa). O evento será transmitido nas plataformas digitais do Playing For Change Day por 24 horas consecutivas entre os dias 9 e 10 de maio e vai reunir cerca de 100 artistas, em sua maioria independentes, em apresentações caseiras com duração média de 10 minutos. Chico César, Isabella Taviani, Cris Delanno, Baia e Victor Biglione são alguns artistas com participação confirmada.

O Playing For Change Day é um evento global que reúne, sempre no terceiro sábado de setembro, artistas voluntários que se apresentam em praças, esquinas, parques, bares e escolas. Destina-se a levantar recursos e ajudar a manter as ações da Fundação Playing For Change e de outras entidades que ela apoia. A exemplo do que ocorre simultaneamente em cidades dos cinco continentes, o Rio promove edições regulares do evento desde 2015, reunindo fãs e voluntários do movimento.

"A onda de solidariedade humana que estamos assistindo nesse período tão difícil nos faz aprender algumas lições e uma delas é que a classe artística - uma das mais penalizadas com o fechamento das casas de espetáculo, teatros e bares - está abastecendo a população de cultura e, sobretudo, de amor", comenta o radialista Jorge Moreno, um dos voluntários envolvidos na organização do PFC Day At Home 2020. "E este evento é para celebrar tudo isso", completa.

A versão caseira do PFC Day pretende levantar recursos para o Instituto Playing for Change na comunidade do Cajuru, em Curitiba, onde mantém uma escola, e também para a Associação Beneficente São Martinho - Centro Musical Jim Capaldi, do Rio de Janeiro. Para quem não lembra, alunos dessa instituição fizeram participação especial no show de Roger Waters no Maracanã, há dois anos.

Nesta edição cada artista fará uma apresentação da sua própria casa. Por meio de um parceria com a plataforma digital Multiplier a transmissão pode ser vista pelas redes sociais do PFC Day ou pelas rede com as redes sociais dos artistas engajados no projeto.

As origens do Playing for Change

Numa tarde de 2002, o produtor musical Mark Johnson caminhava pelas ruas de Santa Monica, na Califórnia, quando foi tomado por uma voz poderosa de timbres firmes e fortes, que carregava consigo a intensidade e complexidade da música negra. Assim, o engenheiro de som que já havia trabalhado com Paul Simon e Jackson Browne conheceu o cantor e guitarrista Roger Ridley. Os acordes de “Stand by Me” podiam ser ouvidos a pelo menos uma quadra de distância. Extasiado, Johnson perguntou ao homem por que tocar nas calçadas se tinha uma voz tão marcante. “Cara, estou no negócio da alegria. Fico aqui para dar alegria às pessoas”, devolveu o artista.

Esta é a história que deu origem a Playing for Change, um projeto audiovisual que reúne pessoas ao redor do planeta que se conectam usando o poder da música para superar diferenças. Desde 2004, Johnson percorre o mundo filmando músicos famosos ou anônimos que executam a mesma canção, seja numa esquina em Nova Orleans, numa favela carioca, numa praça italiana ou numa comunidade rural sul-africana. Os vídeos do projeto são uma febre na internet. No mundo de Playing For Change, uma flautista israelense pode tocar com um percussionista palestino. O que a ONU não consegue fazer, a arte é capaz de proporcionar.

O vídeo de Ridley e outros artistas anônimos cantando “Stand by Me” obteve rapidamente dezenas de milhões de visualizações no YouTube. É parte do premiado documentário “Playing for Change: Peace Through Music”, que já se desdobrou em outros longas, dezenas de videoclipes, quatro álbuns, turnês internacionais e um braço social que criou a Fundação Playing For Change, voltada para a criação de escolas de música que atendem cerca de 600 crianças no Congo, Gana, África do Sul, Nepal, Mali, Ruanda, Bangladesh, Argentina, Marrocos, México e Brasil. Assista a incrível performance de Ridley que, infelizmente, faleceu antes que Johnson pudesse concluir a edição do documentário e não pôde se ver sendo acompanhado por músicos de outras cidades americanas, da Holanda, Itália, Espanha, Rússia, Congo, África do Sul, México e Brasil, numa prova de que a arte não ergue muros ou fronteiras, e sim constrói pontes de afeto e de esperança:

O sucesso dos vídeos do Playing for Change no YouTube foi tão grande que boa parte dos músicos que participaram deles continuaram envolvidos no projeto, reunindo-se na banda que leva o mesmo nome. O veterano Grandpa Elliott, um carismático bluesman de Nova Orleans com jeitão de vovô, lidera o conjunto, que mistura canções de estilos dos mais variados continentes, dando sentido real à expressão world music. Muitas vozes e muitas sonoridades constituindo um único idioma.

E nas performances ao vivo é muito fácil perceber isso, a exemplo do que vimos no Rio, em agosto de 2012, quando a banda levou uma pequena multidão ao Parque Garota de Ipanema no Arpoador. “Eles têm tanto amor um pelo outro que acaba se tornando a performance ao vivo mais poderosa que você já viu”, elogia o produtor Mark Johnson, para quem a presença de artistas de sete, oito países dividindo um palco exerce um fascínio sobre o público. “Eles e o público criam juntos este mundo onde há esperança, essa mágica. Nós não somos divididos por nossa raça, ou nosso gênero, ou quanto dinheiro nós temos, ou nossa política, ou nossa religião”, completa.

Johnson e sua sócia, Whitney Kroenke, viajam pelo mundo garimpando talentos que farão parte das novas produções entre medalhões e anônimos. Artistas do quilate de Keith Richards, Buddy Guy, David Crosby, Jack Johnson, Manu Chao, Warren Haynes (ex- -Alman Brothers e Gov’t Mule), Dobbie Brothers e os brasileiros Sandra de Sá e AfroReggae já articiparam do projeto. Sandra de Sá e o AfroReggae, por exemplo, tiveram a companhia do cantor caboverdiano Ilo Ferreira e de músicos brasileiros, argentinos, cubanos, jamaicanos e indianos na gravação da canção “Satchita”, um mantra indiano que pede aos deuses pela paz no mundo.

 

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