Enem mantém calendário em meio ao coronavírus

Por: Matheus Moreira/Folhapress

Enquanto países adiam seus exames de ingresso na universidade por causa da pandemia do novo coronavírus, as inscrições para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2020 abriram nesta segunda-feira (11).

A abertura das inscrições consta no calendário do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), órgão ligado ao Ministério da Educação e responsável pela produção da prova. Nesta segunda, o Inep também passa a receber pedidos de isenção da taxa de inscrição e solicitações de atendimento especializado durante a realização da prova (para gestantes, lactantes, idosos e pessoas com deficiência).

Os quase 163 mil casos confirmados da Covid-19 e as mais de 11,1 mil mortes causadas pela doença não foram suficientes para que o país adiasse a aplicação do exame.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, é contra o adiamento -cabe a ele a decisão sobre alterar ou não o calendário.

Weintraub, que em abril completou um ano no cargo com um histórico maior de polêmicas do que de projetos executados, já teve sua suas ações examinadas pelo Conselho de Ética da Presidência, é alvo de processos judiciais e precisou ir ao Congresso explicar o bloqueio de R$ 7,3 bilhões que afetam desde o ensino básico até a pós-graduação.

Para o ministro, adiar o Enem é um desejo de políticos de esquerda que desejam "acabar com as expectativas de 5 milhões de brasileiros". A afirmação não alude ao fato de ele ter recebido pedidos de revisão do cronograma do Consed (órgão que representa os secretários estaduais de Educação) e do CNE (Conselho Nacional de Educação), que sugeriu que a definição do calendário leve em consideração a interrupção das aulas.

Uma das principais preocupações quanto a manter a data da prova é a possibilidade de agravamento das desigualdades educacionais, impedindo os mais pobres de acessarem o ensino superior.

As aulas presenciais foram suspensas há quase dois meses no país todo para tentar conter a disseminação do novo coronavírus.

Só no final de abril, alguns estados retomaram o cronograma em suas redes públicas por meio de teleaulas, o que já tropeça na dificuldade de acesso para aqueles que têm limitações de acesso ao serviço de internet. Enquanto isso, na rede particular, apesar dos tropeços com o ensino à distância o conteúdo continuou sendo ministrado.

Em São Paulo, são cerca de 3,5 milhões de alunos da rede pública estadual estão estudando em casa. O governo começou a distribuir no fim de abril kits de escolares com apostilas de português e matemática, gibis, livros paradidáticos e um manual para orientar os familiares, além de oferecer aulas pela TV, mas o sistema tem esbarrado em limitações.

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