Investidores veem Alemanha com otimismo após controle da pandemia e o desconfinamento

O controle da pandemia de coronavírus na Alemanha e o desconfinamento gradual provocaram forte alta na confiança dos investidores na recuperação da maior economia da Europa, mostrou o índice Zew de Sentimento Econômico, divulgado nesta terça (19).

O indicador é construído após entrevistas com 202 analistas e investidores, na semana anterior à da divulgação. Em maio de 2020, o índice de expectativa para a economia alemã subiu 22,8 pontos, e atingiu 51, embora a avaliação do estado atual tenha recuado 2 pontos, para 93,5.

O país adotou medidas de restrição para combater a pandemia de coronavírus a partir de 12 de março, e ficou em confinamento amplo de 22 de março a 20 de abril, quando algumas lojas puderam reabrir.

As aulas começaram a retomar no começo deste mês e restaurantes e bares reabriram no dia 15. Até esta terça (19), 177.289 casos de coronavírus haviam sido confirmados, ou 211,7 por 100 mil habitantes, 35º maior número no mundo.

Com um programa intensivo de testes e uma das melhores estruturas de saúde do mundo, o país registrou 8.123 mortes, menos da metade das quase 17 mil contabilizadas no Brasil. O número alemão representa 9,7 mortes por 100 mil habitantes, o 23º maior do mundo.

A pandemia afetou a economia alemã no primeiro trimestre, com queda de 2,2% do PIB em relação ao último trimestre de 2019, segundo números parciais divulgados na semana passada.

O mau resultado, porém, ainda foi menor que o dos outros três maiores países europeus, França, Itália e Espanha. Mais afetados pela pandemia, eles viram a economia encolher 5,8%, 4,7% e 5,2%, respectivamente.

As previsões são de que no segundo semestre o PIB também registre queda na Alemanha, mas os analistas e investidores ouvidos revelaram otimismo em relação a uma reviravolta a partir do verão, que começa em junho.

O crescimento deve se acelerar no quarto trimestre deste ano, estimam os alemães entrevistados. Uma recuperação completa, na avaliação deles, deve vir apenas em 2022.

A expectativa vai na mesma direção das previsões feitas pela União Europeia, de que a economia alemã tenha contração de 6,5% neste ano e recuperação de 6% em 2021.

A recuperação alemã deve ser ajudada por forte participação do governo em programas de proteção aos empregos e às empresas atingidas pela crise. Com PIB de cerca de 4 trilhões de euros (mais de R$ 24 trilhões, pelo câmbio atual), ou cerca de um quarto do PIB da UE, o país responde por mais da metade (52%) dos quase 2 trilhões de euros injetados por Estados em suas economias até agora.

A França e a Itália vêm em segundo lugar, com 17% do total cada um.

O governo alemão emprestou 3 bilhões de euros à Adidas, 1,8 bilhão à empresa de turismo TUI, e negocia um socorro de 9 bilhões à Lufthansa, entre outros resgates.

No final de março, o orçamento extra para responder à crise do coronavírus era de 156 bilhões de euros (4,8% do PIB), quase metade do receita federal do país.

O programa de prevenção a demissões superou 10 milhões de trabalhadores inscritos em abril, e o governo anunciou um aumento na parcela do salário que é compensada por verbas públicas. O gasto estimado é de EUR 2,6 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) neste e no próximo ano.

De acordo com o relatório da União Europeia, esses esquemas intensivos de socorro e a queda esperada na arrecadação devem levar a um déficit inédito nas contas públicas de um dos principais defensores da austeridade fiscal na Europa.

A previsão é de um rombo de 7% do PIB, após um superávit de 1,4% em 2019. Se a recuperação de fato acontecer como o previsto, o orçamento deve se reequilibrar em em 2021.

A dívida pública, que em 2019 caiu abaixo de 60% pela primeira vez desde 2002, deve subir para cerca de 76% em 2020 e recuar para 72% em 2021, segundo a previsão feita em março.

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